Friday, 14 August 2009

Daniela

Daniela aproveitou uma pausa no trabalho da manhã e foi até ao bar da empresa onde trabalha à procura do terceiro café do dia. Os primeiros dias depois das férias de verão são sempre um martírio. Principalmente quando são as primeiras férias a sério depois de uma mudança de emprego. Absorvida nos seus pensamentos, sonhando acordada com a memória recente da sua rotina de férias, sobressaltou-se quando sentiu um dedito insolente a tocar-lhe o ombro.
“Oh porca suja! Já não falas às amigas?” Antes mesmo de reconhecer a voz que a chamava em tom de provocação amigável, Daniela reconheceu a sua colega Sara de imediato pelo tilintar da tonelada de pulseiras com que ela adora decorar tudo o que é braço. De cada vez que ela passa de um lado para o outro parece que um rebanho de cabras anda a pastar pelos corredores da firma.
“Olá Sarita. Já tomaste café?”
“Sim, já tomei a minha dose de cafeina. Estava mesmo de saída. Já devem estar à minha espera lá em cima na sala de reuniões,” disse fingindo-se enfadada. “Fazem todos aquela cara de poucos amigos pelo atraso, mas basta dar um ar do meu charme que lhes passa logo a telha,” disse com ar coquette. Sara era de facto uma mulher bonita, uma autêntica Barbie em estilo executivo. Mudou de assunto “Mas tu hoje estás toda gostosa... uma morenaça de fazer inveja!” comentou com um sorriso e uma notória mirada da cabeça aos pés. “Fizeram-te bem as férias. Se eu fosse gajo não me escapavas. Comia-te toda!” disse Sara fazendo uma hilariante careta e imitando o gesto do homem do Martini.
Daniela deu uma gargalhada. “Tu és mesmo lunática pá! Olha lá, que fazes tu aqui ainda? Já foste de férias?”
“Bah... bem posso esperar sentada! Enquanto aquele projecto não for concluido tenho de ficar por aqui a secar. Bem, estou atrasadíssima, tenho de ir, depois falamos tá? “ Sara arranca em passo rápido dizendo adeus. “ Depois quero saber das novidades dessas férias. Tchau!”

-*-

“Já são onze e meia?!” Daniela olhou para a janela do escritório, observando as luzes acesas de uma cidade que já recolheu a casa. Não tinha dado pelas horas passar, enbrenhada no trabalho. Era sempre assim, depois das 6 da tarde o open-space fica em silencio relaxante, ideal para progredir com maior facilidade nas tarefas em curso. Arrumou a sua secretária e dirigiu-se ao lavabos.

Não tinha pressa de chegar a casa. Aquela casa que permanecia quase vazia desde à dois anos depois das partilhas, e que fora em tempos o seu lar com Mario durante outra boa dezena de anos, ainda lhe trazia à superfície emoções muito fortes e contraditórias. Se por um lado se sentia livre de novo para procurar um amor merecedor de si, por outro persistia uma raiva imensa por se descobrir enganada e trocada por uma gaja de 25 anos, 10 anos mais nova que ela própria,”... a cabra! “
À pouco tempo soube de uns amigos comuns, que estariam já noivos e prestes a consumar a traição num Registo Civil perto de si. “Não perdem tempo estes filhos da puta! Ainda nem passaram 2 meses da saída oficial do divórcio.“
Forçou-se a mudar de pensamento. Daqui a pouco estaria refastelada numa esplanada, fazendo de conta que as férias ainda não tinham terminado.

Sara entrou nos lavabos. Aproximou-se sorrateiramente de Daniela enquanto esta lavava as mãos e pegando-lhe na cintura, exclamando alto no meio de uma gragalhada “Agora não me escapas!”
Após o susto inicial, Daniela riu-se tambem . Sara mantinha o abraço.
“Minha amiga, o que é que se passa contigo. Ultimamente passas mais tempo no mundo da lua que aqui conosco, os terráqeos.” A sua voz era agora mais suave, um pouco mais séria, mas sem abandonar o sorriso. “Não vale a pena perder horas de sono por causa de um homem qualquer.”
“Disparate! Tu não me digas uma coisa dessas nem a brincar. Estou-me positivamente a borrifar para os homens.”
“Espera.. Acho que já entendi tudo agora.” Sara faz uma cara de quem descobriu a pólvora, “Não me digas que sentes falta de preenchimento vaginal. É isso não é?”
O tom provocador e divertido desarmou Daniela que se riu divertida de mais uma das tolices descaradas de Sara.
“Sei lá... Se calhar tens razão” afirmou.
“Claro que tenho razão.” disse Sara fazendo cócegas na cintura Daniela. Beijou-a impulsivamente na face e abraçando-a por detrás, susurrou-lhe gentilmente ao ouvido enquanto a olhava pelo espelho, “Já nos conhecemos há mais de um ano. Sempre fomos muito amigas, e devo confessar-te que sempre me atraíste. Já nos imaginaste a fazer amor?”
Daniela estremeceu. Sufocou instinctivamente o impulso de rejeição de mais uma ideia disparatada e pensou "porque não..." Rodou sobre si mesma e desafiante colocou os braços ao pescoço de Sara. “Por acaso... já.”
Após um momento de imobilidade geral que pareceu uma eternidade, Daniela beijou Sara na boca. A temperatura entre as duas subiu rápidamente. Sara interrompe o beijo colocando a ponta dos seus dedos na boca de Daniela. “Queres ir até minha casa?”

-*-

Daniela nem se lembrava do percurso que a levou até casa de Sara. Fechada a porta do apartamento, Sara arrastou Daniela pela mão até ao quarto, começando a remover frenéticamente o justo vestido de Daniela, enquanto esta lhe tirava o top. Depois, deixando-se cair sobre o colchão de braços esticados para trás, ofereceu-se à sedução e ao desejo. Daniela libertou-lhe o soutien rendado cor de cereja beijando-lhe os seios, sugando e mordiscando quase até doer os seus mamilos erectos. Lentamente foi deslocando para baixo o alvo das suas caricias e beijos. Primeiro para debaixo das mamas, para os flancos sobre as costelas até à cintura, depois para o umbigo onde a lingua brincou demoradamente com o piercing que Sara sempre exibira despoduradamente. Deixando-se escorregar para baixo desapertou o botão das calças de pele dela, entreabrindo-lhe o fecho vagarosamente. Um leve aroma a sexo e a perfume caro começou a exalar daqueles quadris sedutores, enquanto lhe puxava as calças para baixo, deixando-a cada vez mais excitada e incapaz de responder pelos seus actos. Liberta de roupa, a vagina rapada e húmida de Sara, estava agora refém de uma lingua sequiosa, e palpitava desesperada por contacto fisico imediato. Daniela não se fez rogada, atirando-se ferozmente à sua presa indefesa, num interminável festim de sexo, sem regras nem tabus, por entre uivos e latidos.



Durante o mês seguinte Sara e Daniela continuaram a encontrar-se todas as noites. E todas as noites o ritual se repetia. Estavam cada vez mais próximas, viciadas uma na outra ou quase. Decidiram que Daniela se mudaria para a casa de Sara. E assim aconteceu.
Na primeira noite que Daniela ficou a viver com Sara, o sexo foi extraordinário cimentando ainda mais uma relação já de si intensa. No final da noite, extenuadas e abraçadas sobre a cama, acariciaram-se por tempos sem fim. Sara tinha a felicidade estampada no rosto.
“Dani, adivinha o que fiz hoje.” A face de Sara estava toda iluminada.
“Não faço ideia... diz-me tu.”
“Acabei tudo com ele hoje, como te prometi.” Disse radiante.
“Oh Sarita, amo-te tanto.” Daniela beijou-a apaixonadamente.

Sara espreguiçou-se. “Apetece-me um banho de imersão... vens linda?”
“Já vou meu amor. Vai enchendo a banheira, ok?”
Sara foi para a casa de banho, e o som da agua a correr pareceu hipnotizar Daniela. Momentos depois chamou : “Sarita, onde puseste o comando do ar condicionado?”
A voz meio abafada de Sara fez-se ouvir no meio do chapinhar da água. “Está em cima da minha mesa de cabeceira.”
Daniela pegou no comando. Depois levantou a moldura caída de bruços, espreitando curiosa. Com um estranho sorriso, voltou a colocar cuidadosamente a pequena moldura na mesma posição, e disse para si mesma, “A vingança serve-se fria.”

O aparelho de ar condicionado acendeu-se, soprando ar fresco para o quarto “...e aqui está um calor do caraças!” disse com uma gargalhada.

12 comments:

carla mar said...

cu cu ;)

Scorpion Lider said...

:-) Pois benvinda sejais... escancaro-lhe, sorridente, as portas deste castelo, que mantenho transformado em obscuro convento de pecados e rosas avulso.

carla mar said...

(beijokinha)

carla mar said...

TRUZ truz :)

(deixo-te uma beijoka)

Scorpion Lider said...

beijoka recebida, degustada, sorvida, e devolvida com mimos.

carla mar said...

adorei a parte dos mimos ;)
podes repetir...

Scorpion Lider said...

e de repente dá-se o milagre da multiplicação dos mimos... ;)**

carla mar said...

mais miminhos, para ti ;)

Scorpion Lider said...

mimos avulso fresquinhos :**

carla mar said...

adoro mimos :D

não escreves nada aqui pq??

beijo meu :)

Scorpion Lider said...

vou escrevendo alguns textos de acordo com o feeling do blog; escrevo e apago, escrevo e modifico tudo, apago volto a escrever e parece-me que não têm ponta por onde se pegue(como se os que aqui estão tivessem)... , e no entanto tenho um par de historietas a postos para colocar aqui, só falta mesmo ficar satisfeito com a revisão. talvez esta semana. pelo menos um deles.

Beijokas essas não carecem de revisão e são de entrega imediata :)**

carla mar said...

beijokinha :)